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NEUROPSICOLOGIA

O termo “Neuropsicologia” parece ter sido cunhado por William Osler, em 1913, mas só anos mais tarde, em 1934, chegou à literatura científica pela mão de Kurt Goldstein (no livro The Organism) e, pouco depois, é retomado por Karl Lashley, que o utiliza recorrentemente a partir de meados da década de 30, mas sem que este autor tivesse avançado com uma definição. O termo entra definitivamente no léxico da Psicologia através da obra clássica de Donald Hebb, intitulada The Organization of Behavior: A Neuropsychological Theory, publicada em 1949.

Hoje, a Neuropsicologia pode ser definida como um ramo da Psicologia que investiga as relações entre o Sistema Nervoso e o comportamento manifesto, assim como os fenómenos cognitivos e afetivos que lhe subjazem, aplicando o conhecimento daí resultante à resolução de problemas humanos em diversos contextos, como o da saúde, da educação ou da justiça, e em diferentes momentos do ciclo de vida.”

Para o desempenho competente da sua atividade, o Psicólogo com especialização em Neuropsicologia carece de conhecimentos avançados sobre a estrutura e função do Sistema Nervoso em geral e do cérebro em particular, nos quais consiga referenciar os fenómenos comportamentais, afetivos e cognitivos que investiga, avalia ou em que intervém. Em regra, necessita igualmente de competências e conhecimentos formais no domínio da avaliação e intervenção (neuro)psicológica, incluindo psicometria, podendo ainda necessitar de outros conhecimentos e competências específicas, dependendo dos contextos em que exerce a sua atividade profissional.

A capacidade para compreender as bases e as consequências neuropsicológicas das alterações psicopatológicas e neuropatológicas, das perturbações de personalidade, do desenvolvimento típico e atípico das funções cognitivas e afetivas ao longo da vida, das consequências das lesões e disfunções do Sistema Nervoso, a par das competências para intervir sobre esses fenómenos, seja com recurso a métodos próprios da Neuropsicologia, seja através de métodos comuns da Psicologia, de que são exemplo os métodos psicoeducativos, de treino cognitivo, ou de gestão comportamental, constituem igualmente exigência ao exercício competente da Neuropsicologia”.

A NEUROPSICOLOGIA EM PORTUGAL

Em Portugal, a Neuropsicologia foi reconhecida como Especialidade Avançada pela Ordem dos Psicólogos Portugueses no ano 2016 (DR, n.º 20/2016, 2º Suplemento, Série II de 29 Janeiro 2016). Apresenta três grandes competências de actuação: Clínica, Forense e Educacional.

A Neuropsicologia Clínica aborda, de modo multifacetado, uma linha de actuação repartida e interligada por duas dimensões consideradas principais: o diagnóstico (através de exame neuropsicológico) e a terapia (através de intervenção neuropsicológica). Esta, assenta em três modos de actuação: a restituição de funções (cognitivas, operativas, comportamentais, emocionais e da personalidade), seguindo-se se necessário, a substituição e a compensação das funções afectadas visando a optimização dos objectivos alcançados na primeira e a reintegração (cujo desiderato será sempre, a inclusão do paciente no seu meio sociofamiliar e profissional, em condição tão próxima quanto possível do estado pré-mórbido).

A Neuropsicologia Forense, em que os resultados da avaliação neuropsicológica são utilizados em contexto judicial para responder a questões jurídicas e auxiliar na tomada de decisões sobre essas questões. Está integrada numa filosofia de actuação iminentemente multi e interdisciplinar que envolve a aplicação de várias técnicas de avaliação neuropsicológica, com vista à determinação da presença, natureza e extensão de défices ou alterações neuropsicológicas, indicação sobre as perspetivas de reabilitação, e produção de recomendações de possíveis intervenções. Abrange áreas de investigação, elaboração de exames e testemunhos periciais, consultoria e elaboração de pareceres, especialmente em contexto de direito penal, civil, da família e do trabalho.

Por fim, a Neuropsicologia Educacional, que aplica os princípios da neuropsicologia em contextos de aprendizagem, nomeadamente escolares. O crescente suporte empírico para a necessidade de aplicação dos princípios da neuropsicologia dentro do ambiente escolar tem possibilitado a formação de competências especificas que configuram Neuropsicologia Educacional. Os saberes e as técnicas neuropsicológicas são aplicados em contextos de aprendizagem para compreender o comportamento de crianças e/ou adolescentes e o modo como aprendem, fomentar práticas educativas baseadas nas evidências das neurociências, avaliar e intervir em casos de dificuldades ou necessidades específicas de aprendizagem, nomeadamente das que decorrem de perturbações neurodesenvolvimentais. Tais práticas exigem, porém, a formação especializada em Neuropsicologia por parte dos psicólogos escolares.

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